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Venus

Calada me encontro enquanto procuro dentro da noite o frescor. O sol já não queima mais a terra, mas ainda se encontra dentro dela, transmutado em calor. E dentre todas essas ondas que sacodem o mar, atrás de cada pequeno pedaço de luxuria, eis que em você encontro a loucura de tocar tão profundamente algo que nem sei se existe.

Verde como só o amor poderia ser, a cada doce encontro, um doce encanto, como ipomea a florescer azul e gloriosa pela manhã. Dentre todas as belezas, como Vênus a erguer-se do mar, feita bela de espuma branca, do membro cortado, o corpo, a fala e os lábios, estonteantemente recordo-me de algo não dito, não tocado, mas tão profundamente escrito numa pequena frase.

Ah, eu estou apaixonado!

O vento ainda sopra o calor e perdida não sei onde devia deitar-me para escutar as lamurias das loucuras jamais ditas, ou explicar porque há tudo que se sente, sem saber porque se sente, onde é dita a verdade, ou se mente. Devo não pensar. Não, não pense! E ao acordar julguei ser você aquele mar que pousou entre suaves espumas dentro de um sonho intenso, fiel foi o lamento por não estar lá.

Tão gloriosa Vênus previu o nascer do sol e a aurora silenciosa tocava o horizonte com seus dedos coloridos e de mim fugiu o juízo ou qualquer tipo enfadonho de racionalidade. Bem, essa é a verdade, não há intelecto no mundo para descrever isso. Foi-se também o tempo embora com teu sumiço e em noites quentes como essa, corro para o bar e afogo-me num copo de esquecimento. Doce tormento, de esperar para que um dia o vento me leve e bem próximo ao mar em teus braços entregue, eis que aquela frase haverá de soar…

Como um sino…

Não me entristeço, sigo sorrindo, escondendo por trás de lábios doces o amargor da saudade e como Vênus em palco, curvo-me aos aplausos de seres verdes que sabem dessas coisas amorosas muito melhor que eu. Corro para a cerveja, para que fique bêbada e entre tantos eu encene como a melhor das atrizes, uma ausência de saudade tão ludibriante que é impossível não ver que está aqui.

 

 

Indo aonde o Vento Frio sopra

Eu estou indo aonde o frio sopra. Para alguns (dois, acho, nem isso) isso faz um sentido enorme, pra mim é um sentido enorme também (ou a espera de um sentido). Eu estou no que eu chamo de ponto zero da minha vida. Nada mais é como antes e tudo é como agora. Eu estou buscando o conhecimento, seja o que for o conhecimento. Falávamos despreocupados de imortalidade da consciência e, bem, quem conhece o Xamanismo Tolteca, terá uma idéia do Xamanismo Urbano que pratico.

É muito engraçado isso, porque nunca pensei no In My Chaos como um lugar onde eu fosse falar sobre o Vento Frio, por exemplo. E enquanto eu escrevo isso tudo, com uma pitada de dor de cabeça e grande parte de sono, acho que não me sinto muito preocupada em dizer sobre as decisões que eu tomei nos últimos dias. Não que seja algo estupendo, só estou tentando quebrar um pouco essa coisa de auto-importância.

Meu mundo intelectual está completamente desestruturado e eu não tenho mais a menor condição de tentar organizar as coisas em minha cabeça intelectualmente. Sem nem saber precisar quando isso começou acontecer, acho que agora, eu estou vivendo os momentos de minha vida no momento em que eles acontecem. Os exercícios de respiração e recapitulação que tenho feito tem me deixado muito equilibrada e sem pressa. Algumas grandes confusões ainda acontecem, mas os motivos são outros.

Então, meu querido amigo e irmão falou sobre o templo que é o corpo e eu pensei: “Mas, é isso”. Tupuf na minha cara! Todos sentimentos infernais que eu estava sentindo estavam me enlouquecendo a um ponto que mesmo com todo o meu desempenho intelectual (que nunca fora muita coisa), eu jamais iria descobrir o que estava sentindo. Porque pensar não é sentir. Pensar é pensar e não outra coisa. Se algo acontece nesse momento, eu estou sentindo.

Esses dias lia animada a idéia de que homens são parasitas e que as mulheres alimentam seus corpos energéticos com a energia delas. Ah, que delícia ver os homens como parasitas, vai contra tudo o que me ensinaram desde a tenra idade sobre os homens. São uns parasitas deliciosos, bactérias adoráveis tipo lactobacilos vivos! Eu me deito em risadas! Eu penso nos homens aos quais meu olhar recai e há algo de inexpressível nisso. Há algo que eu sei sobre eles, mas que não consigo decodificar em palavras. Meus mistérios. (Eu os amo)…

Novas atividades em minha rotina, vou voltar a fazer caminhada, sempre caminhei porque queria diminuir a minha forma de rolha, agora vou caminhar por um propósito mágico e diminuir minha forma de rolha será só conseqüência. Também decidi que vou plantar ervas em casa, não sei ainda quais e tampouco onde vou encontrar mudas e também nem sei se fevereiro é uma boa época para plantar coisas, mas bem, já que eu resolvi fazer isso, vamos em frente.

Sobretudo, continuo com minha busca interior, com meus anseios, com meus delírios e acho que dessa forma eu vou estar sempre um pouco além, sempre mais adiante. Não sei dizer se isso é bom ou mal, na verdade eu só queria atualizar o blog.

Indo aonde o vento frio sopra.

Josephine

Sinto o vento tocando minha pele e fico pensando nas palavras que são tocadas por aquilo que sentimos, você poderia fazer milhares de interpretações a respeito disso. E pensei se em algum momento eu te interpretei, pois, sinto que sempre te vejo como a mais bela incógnita. Tão doce e suave como uma brisa e tão difícil quanto uma tempestade. Tão belo e tão cruel. Por que os deuses sempre me dão o prazer de conhecer o cara certo no momento errado?

Eu estou jogada, amordaçada, sem uma pequena reserva de lucidez em minha mente. Isso pareceria estranho em outros tempos. E ele brigou comigo, porque eu não poderia ser uma doente mental. Não, sua doce baby! E eu me joguei dentro do céu noturno e tirei estrelas de suas órbitas, não porque eu tinha uma grande causa, mas porque eu era uma Josephine enlouquecida!

Não precisa entender o que eu escrevo, eu não quero ser entendida, eu não quero ser vista como uma garota inteligente, eu não quero ser compreendida como uma doce menina de sorriso amarelo. Eu quero ser aquela onda de loucura que faz sumir o chão sob seus pés, uma onda de magia. E o telefone ficou mudo, ele não estava mais ali, ele foi embora e me deixou sozinha. E por isso eu tenho essa raiva que se esconde sob o véu da minha loucura!

Eu falo dele e dele. Ele é um e ele é outro. Um é o lobo e o outro um alucinógeno. São meus amores atuais! Ah, eu queimaria Roma como Nero para ficar mais tempo perto deles! E isso é coisa de Josephine, aquela minha Josephine que inspira a loucura! E eu dou voltas sobre meu próprio eixo e eu fico rindo de tudo aquilo que eu deveria chorar e a solidão é algo tão surreal, pois se eu quebrasse todas essas paredes, eu veria que certamente vivo com esse bando de pessoas que dividem o mundo comigo.

Então, quando eu dou mais um passo para o que creio ser minha tranqüilidade, eu me vejo num sonho estranho, onde espero que você simplesmente me ouça, onde espero que você simplesmente me responda. Era isso que eu esperava do velho lobo. É um pequeno deslize, é uma auto-importância desmedida! E enquanto procuro ficar sentada e sem me render a insanidade, eu dou meu último grito. Não esta noite, Josephine!

O sol deita seus dedinhos dourados no horizonte, é um novo dia e isso faria muito sentido se o tempo fizesse algum sentido para nós agora. O tempo não faz sentido, eu sonho com tudo muito antes de acontecer e quando acontece já não é uma novidade. Todas aquelas ordens que eu dei pro universo, elas vêm e elas não seguem uma rapidez cronológica, porque lá, meu amor, onde nós estamos à noite quando dormimos, o tempo é totalmente diferente, o tempo é uma eternidade e na eternidade em si o tempo não existe.

 

 

 

Dançando

O sol aponta no horizonte e a cidade começa a ficar bastante ruidosa. Muitas coisas não fazem o menor sentido nesse momento, fiquei bem triste ao ver que eu havia magoado um amigo, porém aos poucos eu fui notando algumas coisas, algumas conversas sobre beleza, sobre alucinações, sobre planos futuros, divisões de camas, a fúria alheia, as maluquices nas quais as pessoas se apóiam e fechei a noite com a imensidão do universo.

 

A imensidão do universo, universos sobrepostos, universos paralelos, princípio da incerteza! A única grande verdade que conseguimos mais ou menos chegar é que ninguém sabe de nada e isso pode ser mentira também, de repente pode ter algum individuo feliz entre nós dizendo algo como: “Ah, seus idiotas, vocês realmente são uns idiotas” e saber sobre que ele está falando. Mas, isso acontece com todos nós durante o dia-a-dia. Cedo ou tarde acabamos num ponto onde sabemos de algo que outra pessoa não sabe e balançamos a cabeça num gesto desesperado: “Como não sabe sobre isso?”.

 

Porém, saber que pode haver milhares de universos e que vivemos num multi-universos não faz de mim uma pessoa mais feliz, faz-me sentir que eu ainda sou mais burra do que sempre fora e que não há cristo no mundo que pode aliviar a minha carga enorme de ignorância. Mas, ainda assim, quem me dera que todo o problema que eu tivesse fosse algumas cuecas que eu tivesse pra lavar. Uma vida ordinária é sempre uma vida ordinária, eu sou ordinária.

 

E enquanto eu escrevia, um pombo sentou-se num fio da eletricidade pública, sentou-se como os pombos sabem sentar e me disse um olá. Então, o sol brilhou pela janela tocando meu corpo e eu soube bem o que aquele pombo veio me dizer. Ele voou dizendo que é um tempo feliz e um tempo feliz é tudo o que uma pessoa que decidiu ser aquosa e complacente gostaria de ter. E eu sorri e saí dançando pelo escritório, como somente uma pessoa feliz pela presença dos deuses sabe ficar.

 

Não, eu não quero me aprofundar na noite, eu quero me aprofundar no sol, o sol profundo que ilumina e aquece todas as coisas. Não quero ser apenas uma porção de água, eu quero estar fervente. Ser uma nuvem deslizando no céu quando o sol parece estar quente demais. As nuvens estão rolando e eu estou rolando dentro delas. Eu estou tão sensível, estou tão sensível… Por isso seja generoso comigo e gentil e me faça um carinho ao invés das discrepâncias de sempre. Se for possível não fale, mas me toque, me toque com toda a profundidade do seu ser, como uma droga alucinógena, como uma planta que me envolve em plena manhã e me ergue acima de qualquer percepção conhecida.

 

Eu estou cantando ao vento. Pode ouvir minha voz? Você pode ouvir minha voz? Estou farta das maldades, estou farta das bondades e sedenta, sedenta por desfrutar, engolir cada pequena gota de cada precioso momento. Venha, dance comigo, mexa-se, você não pode parar agora porque nada pode estar parado. Jogue-me no fogo e me faça ferver. Vocês já me deixaram triste demais, agora me façam sorrir. Dancem comigo essa musica e vamos esquecer todas as mordidas e tapas que demos uns nos outros. Vamos dançar porque só isso faz sentido em todo o universo, o resto é pura especulação, pura teoria.

 

Deixem me dançar! E vamos, dancem comigo! Criando, rindo e destruindo. É assim que bailarinos do universo levam as suas miseras vidas adiante dentro de um gigantesco mar de possibilidades. Ah! Eu sou feia, eu sou muito feia, mas eu não me importo, porque existe uma luz bem bonita dentro de mim, uma luz bem bonita que faz com que eu divida camas, que me faz esperar guerreiros voltarem da guerra, que me faz caçoar de pessoas importantes, revolucionando toda a minha geração. Uma luz bonita que só faz dançar.  Dançando com os deuses! Dançando com iguais! E é assim que eu recebo o verão, dançando…

 

E o mundo ficou rosa…

Eu não mais impedirei ninguém de voar, voe para longe, para o mar, para o infinito, para onde desejar. Eu amo o canto dos pássaros, mas descobri que amo ainda mais a sua liberdade de pássaro. Amo minha terrível liberdade de pássaro. Pássaros voam, para perto ou para longe, os pássaros só sabem voar! E cantar quando o dia amanhece e somem no fim da tarde. Cantando. Os pássaros só fazem voar. Pássaros me parecem tristes e bobos às vezes, sempre a rodopiar no ar. Pássaros são livres e só sabem da liberdade.

E às vezes quando eu toco a beleza, quando eu simplesmente observo a beleza, sei da fealdade que ela carrega em sua sacola plástica. É uma questão de fé, muitas vezes, uma questão de acreditar que sempre haverá um mal, um terrível sinal, uma torre de perdição para se lançar e isso soa como um pássaro entorpecido que desmaia em seu vôo. Ah, isso soa estranho, mas eu não me importo. Hoje eu estou esticada no chão gelado, olhando as estrelas e tentando decidir qual caminho tomarei daqui a adiante.

Um daqueles dias que você se questiona se a vida tem de ter sempre de ir de um extremo a outro. Doei meu sono para a triste sensação de magoar um amigo. Depois doei meu tempo para esclarecer os pontos sobre as maluquices que o machismo conta. Então, à noite, uma menina com sorriso de sonhos, me fez rir durante uma eternidade de gargalhadas e depois um menino vestido de estrelas e plantas me mostrou o quão bonito ele é e o quanto ele pode fazer todo o universo estremecer em gargalhadas de seriedade. Ele me deixou contemplar a beleza de seus estados alterados de sensualidade. E talvez nunca lerão que falo sobre todos eles aqui.

As estrelas ficam me dizendo coisas o tempo todo, elas e o vento, eles dizem que esse é o momento de eu abandonar meus velhos paradigmas, que é o momento de eu continuar caminhando sabe-se lá pra onde e para eu seguir e seguir e seguir e não pensar qualquer porcaria que gostamos de pensar por aí. E num tipo estranho de frenesi eu peguei a espingarda e matei alguns malditos pássaros. “Ah deuses! Não podemos confiar nela!” – Eles gritaram.

Ah, eu chorei oceanos com isso. Por que todos sempre têm de sentir medo de mim? Que estranho ser eu sou que causa pânico? Sou uma criança, rosada e bochechuda que sorri a maioria do tempo, mas num ímpeto de loucura transformam meu amor em alguma coisa odiosa como verdade e enfiam uma granada em minha garganta. E eu tenho de explodir no final das contas e virar cacos que se espalham ao vento.

Mas o vento pede para que eu ouça, para que eu o ouça dizer que pássaros machucados não voam, para que eu ouça que pássaros machucados se arrastam no chão como uma velha serpente. Ele diz que pássaros machucados sempre voltam para casa e cantam uma melodia triste e pedem para que eu entenda que um dia quebraram suas asas e não puderam voar e que eu entenda que o amor quebra asas de pássaros. Porque o amor pode entender tudo, mas não pode deixar um pássaro voando por aí por muito tempo. O amor é espingarda diz o pássaro e a espingarda diz que o pássaro é amor. E eu acho que o vento, o amor, os pássaros e a espingarda são loucos porque não entendem nada de crianças como eu.

E o vento insiste para que eu escreva, que eu escreva essas coisas, que eu escreva que um navio que atraca o porto sempre tem algo novo para trazer, que um navio atracando no porto sempre traz um presente para crianças como eu. “O navio sempre traz presentes” – o vento diz! E que quando eu me sentir muito triste é para eu olhar para o mar, pois sempre terá um navio lá que me trará um presente.

E uma velha louca vestida de noiva correu e gritou que o verão chegou. Então, eu sorri e eu bebi do vinho que é paixão e vi Dionísio dançando nas ruas sujas e ele me disse para eu não me importar com os pássaros, disse para eu continuar dançando com o vento, porque os lobos uivam ao longe e que o prazer é só uma questão de se estar bem disposto. E alguma águia que voou do navio me disse que nada mais é que uma questão de intento. Então, o vento pediu para eu intentar. E os sonhos vestiram meu corpo nu. E o vento me aconselhou que estarei livre quando abandonar minha liberdade. E o mundo ficou rosa.

Lamentos

Enquanto todos estão adormecidos, eu canto em meu auto-sacrifício. Eu observo as luzes no mundo e tento compreender cada pequeno pedaço em meu ser. Uma pequena parte em mim que morre em função do intento e ainda que me sacrificando, eu me sinto feliz, como se finalmente eu estivesse fazendo algo de grandioso em minha vida. Esse é o meu caminho.

O silêncio que precede essa emoção, às vezes é mais confortante que uma oração, entendo que diante de seus olhos eu sou uma peça de arte, a qual se olha, se examina e até admira, mas nada em mim o toca em meu silêncio. Eu estaria morta? Não, simplesmente adormeço. Sou como uma pluma a voar no vento, insignificante lamento, não há nada para sonhar.

E meu olhar desliza num amanhecer nebuloso, onde o cinza devora todas as cores, silenciosa eu esperei que houvesse palavras suas para ler, não que isso seja um tormento em si, mas tuas palavras foram a fonte do meu alimento, um alimento de alma que me impulsionava voar entre as mais distantes galáxias. Suas palavras eram o sopro de leveza que me arrancavam todo o peso e agora elas se foram, se perderam, me esqueceram.

Num profundo silêncio onde o nada é apenas o eco de algo que um dia poderá vir a ser. Às vezes isso é muito triste, mas eu estou sorrindo, não porque eu estou contente, mas porque é o único modo de fazer sumir todos esses choros internos, ou esse maldito desejo que internamente berro, assim ninguém sabe que dessa parte morta há algo que ainda vive, entre sonhos, neuroses e crises, só mais um lamento.

Eu sou um ser confuso, um ser que teme e arrisca, que sempre morde a isca, um ser estranho que pede para que vá embora e que implora pelo seu retorno no dia seguinte, um ser maluco que te congela e que te faz arder. Com quais belas palavras me descreveria? Obscura, sinistra, obliqua, maldita, total incompreensão? Por que me faz chorar quando deveria me fazer rir? Porque estou rindo quando todos os motivos são tristes?

Eu só queria que me ouvisse por um único momento, que me ouvisse de verdade, que deixasse com que minhas palavras em seu ser entrassem, que forçasse uma compreensão. Indesejada determinação. Nossas palavras não exprimem nada, são nossos gestos que nos colocam em comunhão. Conhecimento? Um mal, uma maldição, um infeliz destino! Se eu não soubesse nada, talvez eu seria compreendida, um mal com um mal se cala e as portas se fecham e eu seria só mais alguém a vagar pelo mundo.

Mas, decidi que a liberdade seria meu abrigo e que o conhecimento seria meu amigo, por isso que eu tive um triste destino de solidão. E quando me movo todos os deuses estão atentos, quando choro, é só mais um fiel lamento, isso é algo que eu sei bem fazer. E quando me calo é por tristeza, quando me fecho é por rejeição e quando confesso, esse deverá ser um preço a ser pago, porque nesse instante com amor te afago e isso não te faz morto.  

Mudança a constancia

Os dias passam e surpresos (se é que haveria qualquer necessidade disso) notamos que nada mais é o mesmo. Ainda que olhe para o mesmo rio várias vezes, perceberá que nunca estará olhando para a mesma porção de água novamente, já diziam os budistas. As coisas vão chegando ao seu limite, outras apenas começaram e ainda que pense que é só o fim, para nosso grande assombro tudo é só o começo. Assim é que morremos a cada expiração.
Ninguém tem o direito de destruir, estragar e magoar só porque está triste. Ninguém tem o direito de arregaçar as mangas e levar todo mundo a loucura só porque não teve um bom dia. Mas, outros, entretanto, têm o poder de colorir a vida como uma tela em branco e esses parece sumir às vezes em meio à névoa da confusão cotidiana que se instala em cada mínima parte de nossa mente, caótica-mente. Nuvens cintilam a atmosfera mental e acho que acabei de ouvir uma trovoada em minha cabeça.
Sensação de loucura, eu aceito, logo que nada está sob o meu controle, algo muito maior que eu dirige esse carro louco agora e estou no banco do passageiro só esperando pela próxima paisagem. E quando seus olhos perseguem todo aquele horizonte, nós nos questionamos o que temos feito diante das coisas que devíamos apenas contemplar. Ensine-me isso, doce lobo, ensine-me a contemplar, porque tudo o que sei é me jogar, jogar em qualquer precipício que me deslumbre. Pegue a minha mão, diga que está tudo bem esta noite e mostre-me o lugar seguro onde acampamos.
O vento sacode as persianas e por um momento não sei se sou o próprio vento, correndo por um mundo devorador, cavalgando pelos estados de percepção e quando os devaneios tornam-se toda esta realidade, cara, então temos de sentarmos e observarmos porque isso é tudo o que mais temos como real. Você sabe, eu voei pelo mundo, conheci lugares onde poucos realmente estiveram e lá, na distância infinda de um mundo bizarro, você segurou minha mão e dentro de minha confusão fez me sentir que estava tudo bem.
É assim mesmo, confuso e monstruoso, é assim mesmo, segue adiante…
Noite, o vento procura vencer o calor, o terrível calor que aquece os copos frios sobre a mesa, um brinde a Freyja, um conto de paixão, deslumbramento e loucura, e, a musica, sim a musica fala sobre o templo do amor e se isso não foi uma sincronicidade, talvez aquele estado meditativo que me assolou tão de repente, só me fez correr por ruas vazias num estado de espírito duvidoso. Mas, não questiono o toque suave da brisa que imita seus movimentos, não, são apenas espectros noturnos que imitam o nosso canto. Doce encanto, no lar, na chuva, ao cantar no vento um mantra sereno procurando um lobo.
Fumaça, cigarros, ventanias, leis… Bem-vinda ao mundo que vivemos, um ato estranho, um beijo silencioso, as sombras não puderam nos esconder, o doce cantar da madrugada, a cerveja me embriaga e mal começa o dia… Dia travesso cheio de sol e brincadeiras, no celular a mensagem rápida de alguém que escolheu entrar na minha vida. Mais uma pessoa, mais um dia e nada mais é como era ontem. E ao longe no horizonte aquele lobo me vigia e eu sorrio pronta para encarar o dia.